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Como testar agentes de IA em uma empresa de desenvolvimento de software? 

Como testar agentes de IA em uma empresa de desenvolvimento de software? 

Os agentes de IA chegaram para ficar — e se consolidaram como assunto obrigatório em praticamente todos os setores. No mundo do desenvolvimento de software, isso não é diferente. Mas, até aqui, grande parte das conversas gira em torno de como a IA pode acelerar tarefas de programação: geração de código, autocompletar métodos, ou sugerir snippets. 

Na DB1, decidimos ir além. Nosso time acredita que a IA pode e deve atuar em frentes menos óbvias, mas igualmente críticas para o sucesso de qualquer projeto de software: as áreas que organizam, validam e documentam tudo o que o código sozinho não resolve. 

E se existissem agentes de Inteligênica Artificial que trabalhassem lado a lado com times de QA, UX e Business Analysis? Essa é a pergunta que norteou nosso experimento, e este artigo é o nosso jeito de dividir os aprendizados até agora. Vamos lá?

Por que decidimos testar agentes de IA internamente? 

Para qualquer empresa de tecnologia, eficiência não pode custar qualidade e qualidade não pode significar burocracia excessiva. 

A DB1 nasceu com uma cultura de engenharia que valoriza processos robustos, mas ágeis, e uma premissa básica: o objetivo de negócio do cliente é o nosso objetivo. Para manter esse padrão enquanto nossos projetos crescem em escopo e complexidade, acreditamos que a IA precisa ser uma aliada. 

Mas não qualquer IA, nem qualquer aplicação. Escolhemos aplicar agentes de IA em áreas onde há alto volume de tarefas repetitivas, grande dependência de análise contextual e potencial claro de ganho de tempo, sem abrir mão da visão estratégica humana

Como desenhamos os testes de agentes de IA? Critérios e pontos de partida

Homem analisando planilhas e software para entender como agentes de IA podem ajudá-lo
Agentes de IA foram implementados nos processos da DB1.

Adotar métodos e tecnologias só pelo hype não faz parte do nosso DNA. Por isso, começamos com hipóteses bem definidas, times engajados e foco em aprendizado incremental. 

Selecionamos três áreas dentro da nossa operação de desenvolvimento que reúnem o cenário perfeito para agentes de IA: 

  • QA (Quality Assurance) — o guardião da qualidade. 
  • UX (User Experience) — o ponto de conexão entre usuários reais e interfaces. 
  • BA (Business Analysis) — o elo entre as necessidades de negócio e o backlog técnico. 

Desde o início, ficou claro o que não queríamos: substituir pessoas, gerar promessas de produtividade irreais ou encaixar IA só para “parecer inovador”. O foco é simples: automatizar o que é repetitivo, apoiar o que exige análise e liberar o time para aquilo que realmente importa

Os três agentes de IA testados: funções e aprendizados 

Veja, a seguir, os agentes de IA testados na DB1 Global Software durante esse projeto: 

1) Agente de QA 

Nosso agente de QA atua como parceiro direto do time de qualidade, automatizando o processo de planejamento de cenário de testes para que os analistas possam focar em validações mais profundas. A ferramenta trouxe mais agilidade e economia de tempo na geração de casos de teste, além de sugerir cenários e descrições que ampliam a cobertura e enriquecem a qualidade da entrega. 

A praticidade de copiar e colar fluxos prontos, com revisão mínima, facilitou o processo de documentação e trouxe mais padronização na escrita, o que reforça a consistência do processo de QA. O agente também se mostrou útil para criar fluxos básicos quando os requisitos ainda estão pouco detalhados, servindo como ponto de partida para refinar alternativas. 

Outro destaque é o bom nível de confiabilidade: mesmo tratando dados sensíveis, o agente oferece sugestões de cenários que muitas vezes não haviam sido considerados, ajudando a prevenir falhas e elevando o padrão de qualidade do projeto. 

2) Agente de UX 

O agente de UX apoia o time a transformar feedbacks de usuários em insights práticos, cruzando dados e sugerindo melhorias que às vezes passariam despercebidas. Quando os insights coincidem com a análise humana, reforçam a confiança na tomada de decisão. 

Ele se mostrou rápido e eficaz, e ajudou a identificar interações com a interface, além de gerar sugestões bem alinhadas com o que o time já validava manualmente, tudo com automação de processos. 

3) Agente de BA 

O agente de BA foi criado para apoiar na criação de user stories, definição de critérios de aceite e organização de toda a documentação técnica do projeto. Ele tem ajudado a gerar hipóteses relevantes, estruturar histórias completas e até apoiar no planejamento com artefatos claros e organizados

Na prática, isso reduziu o esforço manual de centralizar e atualizar documentos, além de dar suporte a formatos como BDD e ajudar na definição de KPIs, o que facilita a clareza dos objetivos da solução para todos no time. 

Limites e desafios: onde a IA ainda não faz tudo sozinha 

Mais do que resultados rápidos, os agentes de IA que testamos deixaram claro um ponto essencial: não há respostas prontas. Para a automação gerar valor real, é preciso conhecer profundamente cada processo — entender cada etapa, exceção e detalhe do que será automatizado. Sem esse mapeamento, qualquer solução vira promessa vazia. 

Outro aprendizado importante é que cada contexto é único. Nossa operação lida com uma alta diversidade de projetos, clientes e setores, o que significa que o que funciona em um time ou produto nem sempre faz sentido em outro. Criar agentes realmente úteis exige personalização, ajustes constantes e um esforço evolutivo que só acontece quando quem usa também tem senso crítico. 

Por fim, talvez o maior risco: acreditar que a IA fará tudo sozinha, sem esforço humano. Essa expectativa é uma armadilha perigosa: leva a desperdício de tempo, frustração e resultados frágeis. Na prática, o maior valor está em integrar a IA como parceira, não substituta. A automação é poderosa, mas só faz sentido quando o time entende o processo, acompanha os outputs e melhora o sistema de forma contínua. 

Como aplicar esse experimento de agentes de IA na sua empresa? 

Se há uma dica que podemos oferecer para quem quer começar é: não comece grande, comece certo

  1. Escolha áreas onde há repetição + análise contextual. QA, Suporte, Atendimento e Business Analysis são boas portas de entrada. 
  1. Envolva o time técnico desde o dia zero. Se devs, QAs e UXers não confiarem no agente, ele vira ruído, não solução, e é fundamental que tenham clareza do propósito de cada agente e senso crítico para analisar os resultados, sem aceitá-los cegamente. 
  1. Use ferramentas acessíveis. LLMs open source, scripts com prompt chaining e APIs simples são mais que suficientes para iniciar. 
  1. Meça o impacto de forma prática. Não foque apenas em “horas economizadas”. Avalie retrabalho evitado, decisões mais bem documentadas e produtividade percebida pelo time. 
  1. Trate a IA como alguém em onboarding. Ela precisa de contexto, feedback e ajustes constantes para evoluir, como qualquer colaborador novo. 

Conclusão: IA com propósito, dentro de casa primeiro 

Se existe um ponto onde a DB1 não abre mão é o uso de IA com propósito e responsabilidade. Não importa se é um script simples, um agente interno ou uma ferramenta de mercado: o foco é resolver problemas reais, de forma eficiente e sem perder a essência do nosso jeito de fazer software complexo, mas simples de usar. 

A automação de processos que estamos testando ainda não são definitivos. Mas já mostram sinais claros: quando a IA é aplicada com visão técnica e propósito, ela não substitui pessoas, mas sim as potencializa.  

Gostou deste relato? Se quiser entender como estruturar agentes de IA na sua realidade, nosso time adora trocar ideias — dentro e fora do código. Fale com nossos especialistas!  

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